segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mudanças


É interessante observar como alguns fatores podem alterar a relação entre as pessoas de tal forma, que em alguns casos geram até surpresa, e que se pararmos pra pensar, não saberemos como isto ocorreu e chegou a tal ponto.
      Impressiona como pessoas com as quais convivemos e que se tornaram muito próximas, por algum motivo tornam-se outras. Elas se aproximam, passam a fazer parte de nossas vidas, se tornam grandes amigas, e com isso abrimos nossa intimidade para elas falando dos mais variados assuntos, de coisas que com outras pessoas jamais falaríamos, damos confiança e passamos a ser verdadeiros, mas em alguns casos o destino nos surpreende, às vezes colocando certa distância, seja pela mudança de escola, de bairro, de curso, qualquer coisa que gere um distanciamento. Essa pessoa que era próxima conhece outros indivíduos e acaba sendo influenciada por novos pensamentos, já que este grupo passa a fazer parte de sua rotina. Mudam-se hábitos, escolhas (que antes eram incapazes de mudar) e a forma de ver o mundo.
                Após um tempo afastados, surge um encontro um esbarrão, o que for... Mas por algum motivo tem-se novamente o contato com esta pessoa. Pensamos que elas continuam as mesmas que conhecemos, aquelas as quais confiamos e  se tornaram tão próximas... Mas só pensamos. Com um pouco de conversa observamos que não são mais as mesmas, vemos que o indivíduo que exercia um papel fundamental em nossa vida deixou de existir, só permaneceu a casca, a aparência, e o conteúdo que conhecíamos simplesmente desapareceu ou está extremamente reprimido na “alma” dos mesmos.
                De início, matamos a saudade, a necessidade de relembrar momentos de amizade entre a pessoa, mas por vezes, após este tempo, somos vistos com indiferença, como uma mera peça que ficou no passado, algo que ela pode lembrar com grande carinho, mas só lembrar, ela não possui a vontade de nos ter próximos novamente.
                Saímos desolados após tal situação, aquela parte tão especial de nossa vida, da qual apesar da distância não esquecemos, aquela que estivemos sempre lembrando e tendo a esperança de reencontrar e ver que nada mudou na relação, acabava por ser destruída em fração de segundos. Achamos que a culpa poderia ser nossa, que se não tivéssemos deixado o tempo interferir por leves momentos, tudo teria permanecido igual. Talvez permanecesse. Para ser sincero, nunca irá haver uma resposta definitiva, pois outros fatores poderiam vir e intervir, e com isto obteríamos os mesmos resultados.
               Dói ver que tudo ficou no passado, que só nos restaram as lembranças.
              Dói ver que as pessoas que eram importantes para nós não nos dão mais                            a mínima.
               Dói sentir no coração que por mais que queiramos mudar esta situação, por mais que nos esforcemos, jamais iremos retornar ao que éramos antes. Da mesma forma como uma jarra se quebra em vários cacos e tentamos reconcertá-la, com alguma cola ou alguma fita, fazendo com que ela retorne a sua forma original, jamais teremos os mesmos resultados, pois se depositarmos algum líquido, ele irá escapar pelas rachaduras que ali permaneceram.
               Estes casos, devemos nos arrepender muito de não os ter como antes, é uma parte de nossa vida que acaba por ser abandonada, destruída. Em compensação, casos que não são mais os mesmos devido a brigas, desavenças ou falta de compreensão, esses sim devem ser abandonados e destruídos de nossas memórias. Devemos ser gratos pelo tempo que passaram conosco, pois de alguma forma contribuíram para que crescêssemos.
               Crescemos com isso, e por vezes damos até outras chances, de início esta chance é aproveitada e recebe o valor que merece, entretanto, por poucos instantes, pois o tempo tem a capacidade de corroer as lembranças das pessoas, elas se aconchegam no bem estar da situação e acabam por errar novamente. Os sábios tem o dom de reconhecer que por mais chances que queiram dar e acreditar na mudança da pessoa, isso jamais ocorrerá, e se ocorrer será por breves instantes.
               Outras pessoas erram conosco, nos criticam de forma muito rígida e tomam a decisão de se distanciarem, depois de um tempo podem até se arrepender, só que o estrago já foi feito, nos magoamos drasticamente com elas, pelo fato delas se aborrecerem com acontecimentos fúteis e que demonstraram que pouco nos conheciam. Estas pessoas resolveram se distanciar, mesmo que por poucos dias antes de se arrependerem (talvez), mas de tanta decepção que nos foi causada pelo fato de pouco nos conhecerem, de espalhar comentários e não saberem somente guardar para si sua opinião sobre o fato ocorrido e vendo a necessidade de nos criticar arduamente com terceiros, devemos simplesmente resolver respeitar a decisão da distância fervorosamente, mesmo que a decisão seja revista depois e tentado ser reparada, devemos continuar a respeitá-la, pois se preocupar com ‘’coisas’’ pequenas é puro desperdício de tempo.
                                                                           (William Schmidt)